sábado, 4 de outubro de 2014

Museu da NKVD em Tomsk

Olá, amigos leitores! Hoje venho falar sobre um lugar bem assustador: o museu da NKVD em Tomsk.

Entrada do museu na Prospekt Lenina 44
O que era a NKVD? Essa era a sigla para Народный комиссариат внутренних дел (НКВД) que em português significa Comissariado do Povo para Assuntos Internos. Ela foi criada no ano  de 1934 e oficialmente fazia o papel do Ministério do Interior. A NKVD era responsável pela segurança (tanto dos cidadãos quanto da propriedade do Estado e do regime), pelo registro dos casamentos, nascimentos e mortes, pela vigilância das fronteiras e pelos campos do trabalho forçado, além da investigação, detenção e execução penal dos opositores do regime socialista. Era a polícia secreta de facto. No começo perseguiam os aristocratas e os que tivessem algum capital, pessoas relacionadas a igreja e os que lutaram contra a implantação do regime socialista. Depois de algum tempo quase qualquer pessoa poderia ser "detida para averiguações", caso houvesse alguma suspeita de conspiração contra o Estado (isso incluía um simples "Não gosto do governo"). Muitos desses detidos não voltaram para contar o que houve. Qualquer semelhança com o regime militar brasileiro não é mera coincidência... Em 1946 a NKVD foi renomeada para MVD (МВД - Министерство Внутренних Дел) ou simplesmente Ministério do Interior. O museu funciona na antiga sede da NKVD na cidade.
Uma porta de uma cela (cárcere, o pior tipo)
Logo quando você entra no museu, você dá de cara com uma peça bem impressionante. Uma porta de uma das celas daquele prédio. Era nesse lugar que aconteciam as detenções e interrogatórios. Normalmente as pessoas passavam pouco tempo neste lugar. Ou eram rapidamente executadas (as execuções não aconteciam nesse prédio, mas no bairro que hoje se chama Kachtak, onde até o presente encontram ossadas das vítimas) ou eram deportadas para os campos de trabalho forçado. A administração desses campos de trabalho ficava a cargo da GULAG (ГУЛАГ). Com o tempo, a sigla GULAG acabou ganhando o sentido de campo de trabalho forçado. 

O escritório funcionava abaixo do nível da rua. Descendo as escadas para chegar lá, é possível ver alguns cartazes de propaganda do regime. Quando acaba a escada, virando a direita, existe um corredor com três celas abertas.  Todas as celas tem um pequeno buraco na porta por onde os agentes olhavam os presos. Havia também um buraco quadrado por onde davam comida para os prisoneiros. Neste corredor tem um busto a Stalin, além de fotos e informações de pessoas importantes à época que passaram por lá.

Réplica de escritório onde aconteciam os interrogatórios
Na primeira cela ha uma réplica de um gabinete de um oficial da NKVD onde aconteciam os interrogatórios, com escrivaninha, luminária, telefone e o livro de registros. Foi colocado ali um manequim fardado como um agente da organização. Numa sala anexa é possível ver as fotos de alguns dos prisoneiros que passaram por lá e foram executados. Segundo informações levantadas pelo museu, esse foi o destino de cerca de 23 000 pessoas. Os retratos de alguns deles estão grudados na parede em forma de cruz.  Também há nessa sala algumas peças dessas pessoas como roupas, fotografias pessoais, brinquedos de crianças, bíblias entre outros.

Cela onde ficavam os detidos
Na segunda sala é reproduzido o clima de uma cela com três camas sem colchão, é claro. Uma de metal e duas de madeira. Em um canto ficava uma especie de bacia de madeira com um balde de metal dentro onde os presos depositavam suas necessidades fisiológicas. Segundo relatos de presos que sobreviveram, era impossível abrir a tampa dessa bacia por conta do cheiro horrível. O ambiente da cela é bem assustador e opressivo. Não foi legal ficar cinco minutos lá, imagine ficar semanas ou meses.

Na terceira cela há um monitor que reproduz um vídeo com relatos de pessoas que sobreviveram e contaram sua experiência. O vídeo dura mais ou menos quarenta minutos. Infelizmente, não tem legendas em inglês. Como no anexo da primeira sala, encontramos alguns objetos dos prisoneiros, como roupas usadas nos campos de trabalho forçado, louça e até o uniforme de um oficial. Pende do teto um pedaço de um trilho de ferro. No trilho está escrito "I.V. Stalin" e alguns números. 

Corredor com celas. Muito frio aqui
Uma outra sala fica próximo a terceira cela, mas não há acesso para ela. Entretanto, é possível ver que ainda há bastante material que pode se juntar ao acervo do museu no futuro. Logo abaixo da escada de entrada também há uma outra parte que não é possível acessar, mas pode-se ver que está tudo destruído por lá. Para quem quer tentar entender como eram as antigas prisões nos tempos da URSS, esse lugar ajuda a dar uma ideia da rotina do pessoal responsável pela vigilância do povo. Ele tem um clima sombrio e a sensação por lá não é das melhores, vendo tantos relatos de sofrimento.

Isso é tudo, pessoal. Qualquer coisa que queiram dizer, só escrever abaixo, ok? Até a próxima.

Endereço: Avenida Lenin, 44 (Проспект Ленина 44 - Prospekt Lenina 44), Tomsk
Horário: aberto todos os dias das 9:00 às 18:00
Entrada: 50 rublos (se quiser tirar  fotos tem que pagar mais 100)



2 comentários:

  1. Parece ser bem interessante, mas acho que também não me sentiria bem em um lugar assim. Vejo que você está visitando muitos lugares novos, isso é muito bom! :)

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    1. Sim, realmente. Acho que é um lugar para visitar uma vez e já está bom. Estou fazendo o possível para ver o máximo daqui. Obrigado pela visita!

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