sábado, 20 de dezembro de 2014

O Museu Geral da região de Tomsk

Olá pessoal! Já fazia tempo que eu não falava nada sobre a cidade onde estou, mas encontrei algo muito interessante por aqui e vou compartilhar com vocês. Ele é o Museu Geral da região de Tomsk (Томский областной Краеведческий музей).

Museu Geral da região de Tomsk
Primeiro, por que Museu Geral da região de Tomsk? Traduzi assim o nome do museu porque ele não é um museu apenas de história, de cultura, de história natural ou algo assim, mas de tudo isso ao mesmo tempo. O museu é dedicado a estudar toda a região da Tomskaya Oblast' ("estado" de Tomsk), em todos os aspectos. As pesquisas de diversos setores de conhecimento como arqueologia, antropologia, geologia, zoologia e todos as "-gias" que você possa se lembrar, estão reunidas neste local. Tudo muito bem organizado e em diversas salas. Você tanto pode visitar todo o museu (440 rublos por pessoa, sem foto, com foto, adicione 50 rublos), ou pode visitar cada sala independente. Se você está com pouco tempo ou só quer saber sobre uma determinada coisa, esse modelo pode ser mais interessante. Cada sala tem o seu preço, variando entre 40 e 130 rublos cada uma. Você pode também visitar só o primeiro (200 руб) ou só o segundo andar (240 руб).

Além dessas atrações, periodicamente o museu organiza concertos de música clássica, tanto instrumental quanto cantada. Durante minha visita alguém estava tocando um órgão e isso aconteceu em quase todas as mais de duas horas que estive por lá. Há lá um lugar para você deixar o seu casaco e não custa nada. Também existe uma loja de recordações do museu, que fica logo à entrada. Ele funciona todos os dias, incluindo fins de semana e feriados, das 10:00 às 18:00. O endereço é prospekt Lenina, nº 75 (проспект Ленина, 75), no centro da cidade. Vou dividir o post em duas partes para falar melhor sobre o que se encontra em cada andar;

Primeiro andar

Exemplos da fauna típica da Sibéria
O primeiro andar do museu conta com uma grande variedade de temas. Logo que você entra há uma sala sobre o período pré histórico da região de Tomsk com fósseis de mamute e ferramentas utilizadas pelos primeiros habitantes do local, datadas de até 26 mil anos e que foram encontradas no parque Lagerny Sad. Lá também tem uma reprodução de como era um habitante da região (um homo sapiens) e alguns fósseis de outros animais, como de rinoceronte peludo (que já está extinto), lobo e outros. Nas duas próximas salas está o museu de história natural, com diversos animais típicos da Sibéria empalhados. Tem de tudo, principalmente aves, mas há também espaço para os mamíferos como lobos (outra vez), ursos, raposas, esquilos, alces, lontras e até alguns animais que eu nem conhecia, como o glutão, que vive na Sibéria, Escandinávia e América do Norte. A mulher que dá dicas sobre essa parte disse que na verdade eles têm ainda mais animais, mas eles estão guardados por falta de espaço. É realmente uma parte bem interessante e completa, com diversos animais. 

Carro para transportar chá do oriente
Passando as duas próximas salas, entramos no chamado "Grande caminho do chá", que mostrava toda a rota do chá, desde as plantações na China até a chaleira dos aristocratas e família real em Moscou/São Petersburgo. Na primeira das duas é mostrado como era preparado o chá antigamente na Rússia europeia, na Sibéria, na Mongólia e na China e também há peças de porcelana dedicadas a esses fins. No próximo cômodo vemos várias peças e placas contando a história do transporte do chá, incluindo a perigosa viagem da China até a Europa, que era cercada por ladrões e que passava por Tomsk. Há nesta sala uma carruagem antiga usada pelos transportadores, além de algumas peças de roupa, que são impressionantemente grossas e feitas de peles de animais (esses transportadores usavam duas). Você pode ver também alguns utensílios muito bonitos de porcelana como chaleiras, xícaras, pires e alguns samovar também (uma espécie de bule para ferver a água do chá bem tradicional da Rússia). Há também uma pequena sala ao lado que mostra uma família aristocrática antiga tomando chá, com uma mesa, cadeiras e todos os utensílios para um chá da tarde.

Pyetch no museu. As pessoas subiam e se aqueciam lá
Seguindo para os próximos dois cômodos, encontramos a reprodução de uma casa de uma família simples do Império Russo. Encontra-se lá reproduzidos a famosa pyêtch (que ja mencionei algumas vezes no passado), uma mesa com um samovar, uns copos para chá e uma "parede" de madeira (feita de lona pintada no museu), um local para uma foto, certamente. Ao lado e atrás da pyêtch ficam alguns bonecos de crianças, como ursinhos de pelúcia e outros, feitos de pano, como nos tempos antigos. É possível subir na pyêtch também. O quarto ao lado mostra algumas roupas usadas nos tempos mais antigos pelas pessoas do povo nos séculos passados. Há também o vestuário típico dos starovery (os antigos ortodoxos que não aceitavam reformas da igreja e formavam suas próprias comunidades, inclusive na Sibéria) e uma grande máquina de tear antiga, que era usada para fazer tapetes principalmente. Para sair dessa parte você passa por uma outra sala que tem os presentes que Tomsk recebeu, como alguns tapetes (inclusive um com a cara do presidente), umas placas, estátuas e coisas assim. Nessa sala encerramos a (longa) visita ao primeiro andar.

Segundo andar

Uniforme escolar feminino soviético
O segundo andar está mais relacionado à história de Tomsk propriamente dita. Desde a sua fundação oficial, em 1604, a mando do então czar Boris Godunov que enviou cossacos para o lugar para defender os tártaros dos povos do sul (quirguiz e djungar), passando pelo ano de 1804, quando a cidade conseguiu se emancipar e foi criado o "estado" (губерния - guberniya) de Tomsk. Também há uma parte marcando o ano de 1944, quando a região foi separada da Novosibirskaya Oblast' e voltou a ter autonomia. Esse setor da sala conta a história à partir dessa data. Há vários quadros retratando o dia a dia desses três períodos distintos. Encontram-se também quadros de cientistas, professores e outros que ajudavam a desenvolver a cultura no período socialista. Próximas aos quadros estão peças de vestuário dos soviéticos dos anos 60 e 70, tanto de homens quanto mulheres e crianças. Minha esposa inclusive reviu o vestido que ela usou para ir à escola naquele tempo com o broche com a cara do Lênin.

Napoleão Bonaparte no museu
Na próxima sala encontramos uma exposição dedicada à Guerra Patriótica contra os franceses liderados por Napoleão Bonaparte no ano de 1812, quando este tentou capturar a Rússia mas se deu mal. Nesta sala encontramos diversos mapas com soldadinhos representando as fases da guerra e peças de vestuário dos russos, assim como armas (tanto réplicas quanto verdadeiras) e um quadro do imperador francês também.

Saindo pela direita desta sala e indo por um corredor, entramos em uma sala com  uma exposição sobre a migração russa para a Sibéria. Há uma réplica de um vagão de trem que levava as pessoas para lá nessa sala e dentro dele há diversas telas mostrando muitas pessoas. Você pode escolher uma no menu e conhecer um pouco da história dessas longas viagens. O vagão é dividido em dois. O lado esquerdo mostra coisas sobre os que se propuseram a viajar e faziam isso porque queriam. Na parte direita são retratados os vagões que iam com os condenados e os "inimigos do imperador". Ao redor do vagão encontramos diversas peças que auxiliavam essas pessoas que iam para a selvagem Sibéria e telas interativas que contam um pouco dessa história. Tudo nessa sala é em russo.

Bandeira da URSS que não me deixaram ver
Saindo dessa sala voltamos a sala da guerra contra Napoleão. De lá avançamos para a última parte do museu. Ela é toda dedicada à Grande Guerra Patriótica, contra os alemães capitaneados por Adolf Hitler entre 1941 e 1945. Essa exposição é composta de duas salas. A primeira mostra o cenário pré guerra e o seu início, com diversos materiais de origem alemã, como um quepe de um oficial Nazi, uma caneca de chá com a Cruz de Ferro alemã, um capacete de um membro da SS, algumas armas alemãs usadas em batalha etc. Claro, há muitas fotos da propaganda nazista pelas paredes. Em um canto está uma edição do jornal do ano de 1941, quando os alemães invadiram a URSS e o camarada Stalin convocava os soviéticos para a guerra contra os invasores e para não deixar se abater frente as dificuldades. Na sala ao lado há vários uniformes usados pelo Exército Vermelho (masculino e feminino), armas, faixas convocando os cidadãos para ir ao fronte defender o país etc. Uma parte curiosa é uma caixa que contem balas extraídas dos corpos de combatentes com informações sobre qual é o calibre, onde ela atingiu e o que aconteceu com alvejado. Para fechar há uma grande bandeira da URSS ainda daquele tempo. Ela está no mastro, porém, como não tem vento, ela fica fechada. Pedi para abrir a bandeira para uma foto, no entanto não me permitiram. Assim termina o passeio completo pelo museu.

É isso aí amigos, Se se interessaram e querem saber algo que não mencionei aqui, é só comentar que eu te respondo ok? Até a próxima!

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