sexta-feira, 24 de julho de 2015

Os governantes da Rússia

Olá amigos! A Rússia teve diversos tipos de governantes ao longo dos séculos. No Brasil eles são chamados de forma geral de czar (ou tzar) ou ditador, mas isso não é totalmente certo. Vamos ver quais eram (e são) eles.

Dmitry Donskoy, o primeiro a quase unificar a Rússia
Knyaz (Князь) - No passado, quando o país não era unificado e existiam diversas cidades independentes (mais ou menos como acontecia nas "polis" da Grécia Antiga), quem mandavam eram os knyaz (князь). Eles e seus comandados eram uma espécie de polícia, que serviam para resolver as disputas entre as pessoas da cidade ou entre cidades. Também atuavam como exército, para defender a cidade dos povos nômades que queriam saquear as cidades russas. Muitas vezes também iam saquear outras cidades. Entre os mais famosos knyaz estão Ryurik (Рюрик), o primeiro da dinastia Rurikevitch (Рюриковичи) em 862, Vladimir (Владимир Красное Солнышко), responsável pela cristianização da Rússia a pedido de sua avó Olga (Ольга), Yuri Dolgoruki (Юрий Долгорукий), fundador de Moscou, Alexander Nevsky (Александр Невский) que defendeu a Rússia dos ataques suecos, Dmitry Donskoy (Дмитрий Донской) grande combatente dos tártaros. Vou escrever mais especificamente sobre os knyaz depois, porque a história deles é longa, um pouco confusa e obscura.

O temido Ivan IV, o Terrível
Czar, Tzar ou ainda Tsar (Царь) - o termo "czar" (também grafado das formas acima) vem do nome César, ou Júlio César, um dos maiores comandantes do Império Romano. O primeiro czar de todas as Rússias (autodenominado) foi Ivan IV, conhecido também como Ivan, o Terrível (Иван Грозный) em 1547. Esse título de czar de todas Rússias foi dado por causa da unificação do país. Ele também iniciou a marcha a leste, para a conquista da Sibéria. Os czares governavam de forma autocrática (detinham o poder absoluto em suas mãos) e o posto era transmitido de forma hereditária. Ivan IV, à propósito, foi o último mandatário da dinastia Rurikevitch, já que ele mesmo matou seu único filho legítimo que sobreviveu à infância. Depois de um período bastante conturbado conhecido como "Tempo de dificuldades", quando o país caiu sob o domínio da Polônia e alguns poloneses, se passando por um dos filhos falecidos de Ivan, tentaram tomar o trono, Mikhail I (Михаил I) foi coroado czar, iniciando assim a dinastia Romanov (Романов), a última do Império Russo. A era dos czares durou até a entrada de Pedro I, o Grande.

Catarina II, a Grande
Imperador (Император) - Pedro I, o Grande (Пётр I, ou Пётр Великий), fundador de São Petersburgo, foi o primeiro imperador russo em 1722. Na verdade, só mudou a nomenclatura do cargo, porque as funções governamentais continuaram as mesmas do czar. Tanto é assim que muitos continuaram chamando o governante da maneira antiga. Além de Pedro I, tornaram-se famosos como imperadores Catarina II, a Grande (Екатерина II Великая) que na verdade era alemã, Alexander I (Александр I) que foi o comandante do país durante a "Campanha da Rússia" (invasão de Napoleão Bonaparte à Rússia) e Nicolau II (Николай II), o último  imperador russo, que sufocou uma primeira tentativa de revolução socialista em 1905, mas que depois foi deposto pela segunda revolução socialista em 1917.

Leonid Brejnev. Conhecido por suas sobrancelhas
Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (Генеральный секретарь Коммунистической партии Советского Союза) - após a ascensão do partido comunista, que se consolidou em 1921 depois de uma guerra civil, o governante supremo da União Soviética (e, por consequência, da Rússia) era Vladimir Lênin (Владимир Ленин). Com sua morte em janeiro de 1924, o Secretário-geral do partido comunista, cargo criado em 1922, e que até então era apenas simbólico, tornou-se o comandante do país. O primeiro de todos a assumir o posto foi o infame Josif Stalin (Иосиф Сталин, 1924-53), que, após a morte de Lênin tornou-se o líder da União Soviética de facto. Depois dele, na ordem, Nikita Khruschev (Никита Хрущёв, 1953-64), Leonid Brejnev (Леонид Брежнев, 1964-82), Yuri Andropov (Юрий Андропов, 1982-84) e Konstantin Tchernenko (Константин Черненко, 1984-85) passaram pelo posto. O último Secretário-geral da URSS foi Mikhail Gorbachev (Михаил Горбачёв, 1985-91), responsável pela derrocada do país. Entretanto, ao que parece, as condições econômicas o forçaram às medidas que levaram a queda do colosso comunista em dezembro de 1991.

Putin e Medvedev, a dupla dinâmica da Rússia atual
Presidente (Президент) - Em 1992, Boris Iéltsin (Борис Елцин) assumiu o controle do país, tornando-se o primeiro presidente eleito na história da Rússia . Ele venceu as eleições dois anos antes, quando a Rússia ainda era parte da URSS. Seu governo foi marcado por uma grande decadência na Rússia, com a degradação do bom padrão de vida alcançado nos tempos do socialismo, além de vários episódios de embriaguez publica e trapalhadas em reuniões com chefes de estado, o que envergonhou demais os russos  perante a comunidade internacional. Em fins de 1999, alegando motivos de saúde, Iéltsin renunciou em favor de seu primeiro ministro Vladimir Putin (Владимир Путин).

Nicolau II e Dmitry Medvedev. Iguaizinhos não?
Com uma "terapia de choque", o recém empossado mandatário do país melhorou a situação do povo. Nas eleições de 2000 Putin venceu fácil. Em 2004 ele foi reeleito. Em 2008 seu primeiro ministro, Dmitry Medvedev (Дмитрий Медведевь) foi eleito presidente e Putin virou o primeiro ministro. Por uma coincidência, nesse período entre 2008 e 2012, as leis foram mudadas para que o premier fosse o chefe de governo. Portanto, mesmo sendo apenas o primeiro ministro, Putin continuou com o poder em suas mãos. Em 2012 ele foi reconduzido ao posto de presidente da Rússia, quando uma outra alteração na legislação devolveu o poder de chefe de governo ao presidente. Junto com essa alteração, o mandato do presidente foi esticado de quatro para seis anos. As próximas eleições estão marcadas para 2018 e Putin diz que está pensando em se candidatar novamente, mas não tem certeza se isso se concretizará...

Por enquanto é isso amigos. Se quiser discutir sobre essas informações históricas, será um prazer. Basta deixar um comentário aqui embaixo ok? Até a próxima!

7 comentários:

  1. Privet, Professor Luciano!

    Uma verdadeira aula de História! Achei interessante a estrutura do post, onde você coloca a descrição dos governantes em ordem cronológica e política. Mas há uma informação que me deixa indignado. Explico. Se os poloneses foram em tempos idos os atacantes do império russo e quase conseguiram destruí-lo, porque hoje se fazem de vítimas e são tão russofóbicos?
    Quanto a Stálin, tenho a dizer que, pelo menos tudo que li a seu respeito de fontes ocidentais é que ele, apesar de instalar um regime de terror na URSS, foi o maior responsável pela resistência férrea russa e a pessoa que, com seus métodos(questionáveis ou não) evitou o colapso naquele período crítico entre o início da Operação Barbarossa, o cerco a Moscou e as duríssimas batalhas em Stalingrado.
    Só para você ter uma ideia do que estou falando, no livro Batalhas Ganhas e Perdidas, do historiador inglês Hanson Baldwin, se descreve uma cena em novembro de 1941 - quando a Whermatch já avistava o Kremlin em seus binóculos - em que Stalin resolveu verificar a informação de que a capital estava mergulhando no caos. Segundo o autor, começavam a haver saques por toda a cidade. Stalin parou num determinado ponto, saiu do seu automóvel e passou a caminhar pelas ruas e a conversar com as pessoas, incentivando-as a permanecer firmes em sua resistência. Diz-se que a simples visão do líder soviético as faziam mudar de atitude(provavelmente o medo de uma punição, é verdade)...
    Em minha humilde opinião, o sucessor de Stálin deveria ter sido o general Jukov, não o Kruschev. Mas é apenas uma opinião pessoal, nada mais(Quem sou eu para opinar sobre os líderes de outro país...).
    Quanto a Putin, se existe alguém que pode ser chamado de mentor intelectual dos BRICS, esse é O cara. Já não posso dizer o mesmo do Medvedev. Segundo o que li, ele é muito mais inclinado ao atlanticismo ocidental do que deveria. Mas, friso novamente que é apenas a minha opinião pessoal.
    Quanto a Ieltsin, apenas posso dizer que é o FHC russo...rsrsrs
    Bem, já "falei" demais por um post. Excelente trabalho, meu nobre. Fantástico, na verdade!

    Grande abraço e poka para ti e para a sua "patroa".

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    1. Olá Kleber!

      Muito obrigado por todas as considerações.

      Sim, eu vi esse livro. Se é verdade ou não, difícil saber, mas parece algo bem plausível sim. Imagino que se eu o visse na rua e ele falasse comigo, eu me sentiria encorajado a combater, pelo amor ou pela dor, nem sei, rs.

      Sobre os poloneses... bem, após a queda do socialismo, eles sempre foram contrários à Rússia, então, ele provavelmente tentam justificar e plantar essa separação com essa tal "vitimização". Além de sempre culparem os russos por estarem contra a vontade no "mundo socialista" (há controvérsias). Além de ser uma boa maneira de desviar a atenção da população de problemas mas sérios e urgentes, que afligem aquele país.

      Sobre o sucessor do Stalin, bem, o Jukov era bom estrategista militar, mas não sei se ele era exatamente um bom político. Difícil dizer. O Eisenhower no EUA fez dois governos marcados pela paranoia anti-socialista... já o Khruschev tentava uma "quebra de gelo" nas relações com outros países fora do bloco comunista. Então, talvez a ascensão de um marechal não fosse assim tão boa para o equilíbrio de forças do cenário mundial daquele momento. E também é apenas uma opinião pessoal. Eu nem era nascido naqueles tempos, então, se tivessem acabado com o mundo, nada disso mais teria algum sentido. :)

      É, aqui as pessoas não vão muito com a cara do Medvedev também. Até os que gostam do Putin não engolem muito seu escudeiro. Talvez por conta de seu carater mais taciturno e introspectivo, não tão inclinado ao populismo do presidente, que se assemelha um pouco ao ex-presidente Lula.

      Bom, sim. O Ieltsin, como o FHC, não deixou nenhuma saudade na população (na mídia há alguns que sentem falta dos dias do tucano, mas isso é outra conversa).


      Grande abraço para ti e para a sua жена. :)

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    2. Grande Luciano!

      Saudações etílicas de uma ensolarada e quente Curitiba! Agradeço pelas suas palavras, e pela constante atenção dispensada a nós.
      Estamos neste momento na casa do meu sogro ucraniano comendo um bom churrasco e saboreando uma excelente heineken e um saboroso kvas!
      (Brincadeiras à parte, um brinde a você, que é meu conterrâneo, à sua жена e ao povo russo, que é nosso povo irmão!

      Abraço e bom domingo!

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    3. Olá Kleber!

      Ah, não sabia que você tinha eslavos na família, bem legal isso. Visitamos o memorial ucraniano em Curitiba e o achamos bem legal. Cerveja e kvas com churrasco... pode se sentir na Rússia, Ucrânia, Bielorrússia ou qualquer um desses países da região, que é exatamente como as pessoas passam seus domingos nesse período do ano. Muito obrigado e sim, ele são nossos irmãos. São muito mais próximos de nós do que ue poderia um dia imaginar.

      Abraço e grande semana para ti.

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  2. Ao que parece o Vladimir Putin se reelegeu em 2004 dentre outras razões (politicas e econômicas) por conseguir controlar a região separatista da Tchetchniá, algo que o Boris Ieltsín falhou.

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    1. Na verdade as pessoas o escolheram porque tinham muito medo que, se escolhessem outro, poderia vir um novo Ieltsin ou Gorbachev, que jogaria o país na lama outra vez. A vitória na Chechênia veio como um bonus.

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    2. Vladmir Putin tem a melhor reputação do cargo nesses últimos tempos, na internet Vladmir e reverenciado por internautas de várias nações como o político mais inteligente independentemente. E ele é citado como a pessoa mais poderosa do mundo (a TSAR deve ter ajudado), seguido pelo Barack Hussein Obama, Xi Jinping - o presidente da china, e o Papa Francisco. Pesquisa-lá acho que a revista Forbis ou a People.

      E ele é visto mundialmente como a solução para o terrorismo, pelo êxito em eliminar os separatistas (o cara era da KGB/FSB, matava político, um grupo de moleque armado não é nada pra quem comanda a colossal MÃE-RUSSIA, de quem todos ouvem falar mas ninguem pode afirmar muita coisa, graçãs a deus eles são nossos aliados né, BRICS)

      [B]razil
      [R]ussia
      [I]ndia
      [C]hina
      [S]outh Africa

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